A otite média não-supurativa é contagiosa?
Não. A condição em si e o líquido acumulado no ouvido não são contagiosos. Contudo, o resfriado ou vírus que originou o bloqueio da tuba auditiva pode ter sido transmitido.
Otite média não-supurativa
Capítulo: Capítulo VIII - Doenças do ouvido e da apófise mastóide • Grupo: Doenças do ouvido médio e da mastóide
O código CID-10 H65 refere-se à otite média não-supurativa, uma condição caracterizada pelo acúmulo de líquido na cavidade do ouvido médio, localizada logo atrás do tímpano, sem a presença de uma infecção bacteriana ativa geradora de pus. Esse líquido pode ser mais fluido (seroso), mucoso ou viscoso. Por esse motivo, o quadro também é bastante conhecido como otite média com efusão ou otite secretora.
Essa alteração acontece principalmente quando a tuba auditiva — o canal responsável por equalizar a pressão e ventilar o ouvido médio até a parte posterior do nariz — fica obstruída ou não funciona adequadamente. Com a ventilação comprometida, cria-se uma pressão negativa que favorece o acúmulo de fluido. É uma das condições otológicas mais frequentes em crianças, embora também possa acometer adultos, surgindo comumente após quadros de gripes, resfriados ou crises alérgicas.
Como não costuma provocar dor intensa ou febre alta, a otite não-supurativa pode passar despercebida por semanas. Contudo, a presença do líquido impede que o tímpano vibre livremente, provocando sensação de ouvido entupido e diminuição temporária da audição. Lembre-se: este conteúdo tem caráter puramente informativo e não substitui uma consulta médica. Apenas um profissional de saúde pode diagnosticar corretamente e indicar a melhor conduta.
O diagnóstico da otite média não-supurativa é realizado por um médico clínico, pediatra ou otorrinolaringologista. O exame físico inicia-se com a otoscopia, na qual o médico observa a membrana timpânica por meio de uma lente com iluminação. Através deste exame, é possível identificar se o tímpano está retraído, opaco, com alteração de cor ou com bolhas de ar e líquido visíveis atrás dele. Para avaliar com precisão o impacto na audição e no funcionamento do ouvido, o médico pode indicar exames complementares como a timpanometria, que mede a mobilidade do tímpano e a pressão interna, e a audiometria, recomendada principalmente se os sintomas persistirem por várias semanas.
O tratamento depende da duração do quadro, da intensidade dos sintomas e do impacto na audição. Em muitos casos, a otite média não-supurativa resolve-se sozinha dentro de algumas semanas a meses. Nesses cenários, a conduta inicial costuma ser a observação atenta aliada ao tratamento da causa de base, como o uso de lavagens nasais com soro fisiológico, sprays nasais de corticoide ou anti-histamínicos sob prescrição médica. Caso o líquido permaneça por mais de três meses ou cause perda auditiva significativa que comprometa o aprendizado ou o desenvolvimento da linguagem em crianças, intervenções cirúrgicas simples podem ser consideradas. O otorrinolaringologista pode recomendar a inserção de um pequeno tubo de ventilação (carretel) no tímpano para permitir o escoamento do fluido e restabelecer a aeração correta da cavidade.
Procure atendimento médico se você ou sua criança apresentarem sensação contínua de ouvido entupido ou diminuição da audição por mais de duas semanas. Além disso, consulte um profissional imediatamente se surgirem sintomas como dor de ouvido intensa, febre, saída de secreção (pus ou sangue) pelo canal auditivo, tontura ou se observar atrasos no desenvolvimento da fala e dificuldades escolares em crianças pequenas.
Não. A condição em si e o líquido acumulado no ouvido não são contagiosos. Contudo, o resfriado ou vírus que originou o bloqueio da tuba auditiva pode ter sido transmitido.
A otite supurativa apresenta infecção bacteriana ativa com produção de pus, dor forte e febre. A não-supurativa apresenta apenas líquido (fluidos ou mucosidade) acumulado sem febre ou pus.
Porque a tuba auditiva das crianças é mais curta, estreita e horizontalizada do que a dos adultos, o que dificulta o escoamento natural de líquidos e favorece obstruções.
É muito raro a otite não-supurativa causar perfuração timpânica, pois não há acúmulo de pressão purulenta como na otite aguda. Ainda assim, o acompanhamento médico é indispensável.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Apenas um profissional habilitado pode confirmar o diagnóstico.