Capítulo: Capítulo I - Algumas doenças infecciosas e parasitárias • Grupo: Helmintíases
Visão geral
O código B65 na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) refere-se à Esquistossomose, uma infecção parasitária também conhecida popularmente por nomes como "barriga d'água", "doença do caramujo" ou bilharziose. Trata-se de uma condição provocada por vermes platelmintos do gênero Schistosoma, sendo a espécie Schistosoma mansoni a principal responsável pelos casos registrados no Brasil. É uma doença com forte ligação com as condições de saneamento básico e higiene das populações.
A infecção acontece quando o indivíduo entra em contato direto com águas doces não tratadas — tais como rios, lagos, lagoas ou açudes — que abrigam caramujos contaminados. Esses caramujos atuam como hospedeiros intermediários e liberam pequenas larvas na água. Ao entrar em contato com a pele humana durante banhos, pescarias ou trabalhos na agricultura, essas larvas penetram no organismo, caem na circulação sanguínea e se desenvolvem até a fase adulta nos vasos sanguíneos dos órgãos abdominais.
Na maioria das vezes, a doença pode se manifestar de forma inicial discreta ou assintomática, mas, sem o devido acompanhamento, pode evoluir para formas crônicas severas. O acúmulo de ovos do parasita nos tecidos do corpo pode causar inflamações persistentes e danos graves ao fígado, intestino e outros órgãos vitais ao longo do tempo.
Lembre-se: este conteúdo é estritamente informativo e educativo. Apenas uma consulta com um profissional de saúde capacitado pode realizar o diagnóstico correto e orientar as condutas terapêuticas adequadas para o seu caso.
Sintomas comuns
Coceira ou vermelhidão no local da pele onde a larva penetrou
Febre e calafrios (fase aguda da infecção)
Dor abdominal e desconforto gastrointestinal
Diarreia, que pode apresentar presença de sangue ou muco
Sensação de cansaço excessivo, fraqueza e anemia
Aumento do volume do abdômen ("barriga d'água") nos casos mais avançados
Aumento do tamanho do fígado e do baço
Causas e fatores de risco
Contato da pele com água doce (rios, lagos, açudes) contaminada por larvas do verme Schistosoma
Presença de caramujos de água doce da família Planorbidae, que atuam como hospedeiros intermediários
Ausência de saneamento básico adequado, que permite que fezes contaminadas cheguem aos corpos d'água
Atividades recreativas ou ocupacionais (como pesca, lavagem de roupas ou agricultura) em locais com água não tratada
Diagnóstico
O diagnóstico da esquistossomose é realizado principalmente por meio do exame parasitológico de fezes, que permite a identificação dos ovos do parasita Schistosoma mansoni sob o microscópio. Em alguns casos com baixa carga de parasitas, pode ser necessário repetir o exame em dias diferentes ou utilizar métodos laboratoriais de concentração para aumentar a precisão.
Além do exame de fezes, o médico pode solicitar exames de sangue (como sorologias e hemogramas) e exames de imagem, como a ultrassonografia abdominal. A ultrassonografia é muito útil para avaliar o grau de comprometimento dos órgãos internos, identificando alterações no fígado, aumento do baço ou complicações na circulação abdominal.
Tratamento
O tratamento da esquistossomose é relativamente simples, eficaz e oferecido gratuitamente pelo sistema público de saúde. Ele é feito por meio de medicamentos antiparasitários específicos (como o praziquantel), geralmente administrados em dose única por via oral. O medicamento atua eliminando os vermes adultos presentes no organismo.
Além da medicação prescrita pelo médico, o acompanhamento pós-tratamento é importante para garantir que a infecção foi totalmente eliminada. A prevenção de novas infecções envolve ações coletivas e individuais, como a melhoria do saneamento básico, o acesso à água potável e a orientação para evitar o banho ou trabalho em águas sabidamente contaminadas.
Quando procurar ajuda
É recomendado procurar atendimento médico caso você tenha frequentado rios, lagos ou lagoas sem saneamento adequado e passe a apresentar sintomas como coceira na pele logo após o banho, febre persistente, dores de barriga constantes ou sangue nas fezes. Se você reside ou visitou áreas de risco para a esquistossomose, consulte uma unidade de saúde para avaliação preventiva, mesmo que não apresente sintomas intensos.
Perguntas frequentes
A esquistossomose é transmitida diretamente de uma pessoa para outra?
Não. A doença não é contagiosa pelo contato direto entre pessoas. O ciclo do parasita depende necessariamente da passagem pelo caramujo de água doce para que as larvas se tornem capazes de infectar o ser humano.
Por que a esquistossomose é conhecida como 'barriga d'água'?
Esse termo popular refere-se às fases avançadas e não tratadas da doença, quando o comprometimento do fígado causa acúmulo de líquido na cavidade abdominal (ascite), deixando a barriga visivelmente inchada.
Usar cloro ou ferver a água mata o parasita da esquistossomose?
Sim. A água potável tratada, fervida ou clorada adequadamente é segura para o consumo e higiene pessoal, pois esse processo elimina os organismos patogênicos, incluindo as larvas da esquistossomose.
A esquistossomose tem cura?
Sim. A esquistossomose tem cura quando tratada corretamente com os medicamentos antiparasitários indicados pelo médico, especialmente se a infecção for identificada nas fases iniciais.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Apenas um profissional habilitado pode confirmar o diagnóstico.